segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Por que eu odeio pessoas (I) - Conversas

Nem escondo mais que evito a vida em sociedade é podre, e prefiro evitá-la a qualquer custo por motivos vagamente ilógicos. Porém, sempre tem gente que diz "Ah, Lucas, você é frio", ou "Deixa de ser rude!". Pois bem, espero que possa esclarecer certas coisas.

Uma coisa que sempre tive imensas dificuldades é em iniciar (e manter) conversas, como meus amigos sabem muito bem, tanto que tem gente que me adiciona no msn e nunca conversa. Talvez minha infância solitária tenha fechado a área social de meu cérebro, pois a única pessoa que tinha para conversar era a empregada, e olhe lá. Pais trabalhando fora, falta de contato com amigos fora do colégio e dias e dias dentro do quarto me forçaram a procurar os videogames e livros para passar o tempo. Não que tenha sido uma coisa ruim, especialmente os videogames (onde mais eu aprenderia que cogumelos fazem crescer, ou que engolir seus inimigos te faz absorver os poderes deles), mas não fui uma criança normal que vai brincar no parquinho ou desce pra andar de bicicleta.

Mas chega de lembranças sem graça, falemos sobre o agora. Tem gente que realmente não ajuda a melhorar a situação, esperando que eu aja como um populóide qualquer, sempre cheio de assuntos. Digo mesmo, VOU FICAR EM SILÊNCIO SE NÃO TIVER O QUE FALAR. Acreditem, dá muito trabalho pra conversar, ao menos pra mim.

Se pessoas que não falam nada são chatas, pelo menos as que falam demais são quase piores. Sabe no avião, quando você tenta dormir, ler um livro ou só olhar pela janela, mas tem um chato tentando puxar um assunto qualquer? Você até conversa um pouco mas não quer prosseguir, enquanto o cara fala da mãe, de como a irmã teve um filho, de como o avô morreu em um acidente de avião. Assim, além de ele te deixar com um puta medo da viagem, ainda enche o saco até o ponto que você realmente quer que a aeronave caia, porque assim pelo menos você se livra dele.
Também tem a galera que tenta conversar no meio de uma festona no meio de todo o povo e música acima do nível aceitável. Aí, tem que ficar rouco gritando e surdo ouvindo o cara.
Outro caso notável é quem tenta conversar mas não tem o que dizer, e começam a se repetir indefinidamente. Meu pai, por exemplo. Ele sempre foi fascinado com a simplicidade e engenhosidade dos balões de trânsito (ou rotatórias). Até aí tudo bem, ele mostra como quem entra ajuda que está parado, quem passa dá chance a outro, e assim vai. Mas tente ouvir isso sete vezes. Sim, ele me contou a mesma coisa, exatamente com as mesmas palavras, nada menos que sete vezes. Mesma coisa sobre gestão de hotéis, falando sobre atendimento ao cliente em certas situações. Um porre. Resumindo, quem se repete muito me deixa profundamente irritado, porque já nem converso tanto e ainda tenho que ouvir essas coisas. Também, infância solitária, dificuldade em iniciar conversas... já mencionei que odeio pessoas?

Claro que tento melhorar, já tenho orkut (60 amigos, yahoooo!), msn (só converso com umas 10 pessoas, mas já é algo) e até - veja só - um blog!
Próximas partes em breve.