segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Die bedeutung eines teams von hohem niveau

Ou: Sem ideia para um título, escrevendo qualquer merda em alemão pra te forçar a procurar uma tradução toda quebrada no Google Tradutor

      Todos são novatos, a princípio. Não temos força física, velocidade ou habilidades legais que nos diferenciem. Não temos amigos, gente que te acompanhe por suas jornadas doidas por aí. Não sabemos nada sobre o funcionamento da realidade, das relações interpessoais, do que é necessário para se adquirir ou aprender algo.
       E aí começam a aparecer as primeiras amizades. Aquelas pessoas que te mostram a verdadeira face do mundo que te cerca. Você aprende, se diverte, sofre, se irrita, sorri. E os parceiros não param de chegar, sempre com algum conhecimento novo, ou mesmo os nem tão habilidosos ou especiais, mas que se esforçam para ser alguém importante no grupo.
      Em determinada hora, as coisas vão de mal a pior, e tudo pelo qual você tem lutado desde o início parece desabar sob seus pés. Nessa hora, algumas dessas pessoas podem desistir, ir embora ou até mesmo passar para o lado oposto, cansadas da mesma rotina e das mesmas companhias. Isso é duro, mas são momentos que devem ser superados em nome de um bem maior.

      Claro que crises são passageiras, e sempre tem um jeito de passar por cima de tudo que aconteceu, especialmente quando se tem ao lado as pessoas que sempre te apoiaram e fizeram tudo dentro de seus limites para manter a esperança de um futuro melhor. Nessa hora, olha-se para o caminho que falta ser trilhado e as forças são renovadas.
      Nesse momento, todos os conflitos e/ou afinidades chegam a seu clímax, hora em que todos os problemas internos devem ser resolvidos. Isso faz com que todos cresçam por dentro e alcancem um nível superior. Nível esse que vai ser muito importante quando for preciso enfrentar a fronteira final, aquela que impede que tudo fique melhor.

      Vencida a última etapa, você olha para todas essas pessoas que conquistou ao longo do caminho. Gente que colaborou com suas aspirações dando apoio, se esforçando para manter a amizade e mostrando que as coisas podem ser vistas sob outras perspectivas.
      E é com muita dor no coração que você lê o "The End", dá adeus a seu guerreiro, ao buffer, ao healer, ao tank, etc e desliga o videogame.


*Esse tema foi sugestão da Marcela há um tempão. Valeu aí por ajudar meu blog a sobreviver mais alguns meses =P

domingo, 12 de setembro de 2010

Canhotices

      Dia desses, passeando pelas interwebz, vi uma coisa curiosa em um site de vendas online: caneca para canhotos. Eu, como pessoa de esquerda VIVA O PARTIDO COMUNISTA OPERÁRIO, parei para pensar o que isso queria dizer. Seriam as canecas objetos bem mais complexos do que aparentam, e nós, pessoas dominadas pelo lado direito do cérebro, estaríamos perdendo alguma função ou característica desses maravilhosos objetos?
      Bem, não é bem assim. Veja só essa tal caneca:

Ignorem a estampa. Mas o pônei-arco-íris ficou show.
 Talvez a diferença dessa aí pras canecas normais não esteja muito clara, então vou dar uma ajuda:


      Dá pra entender agora? Geralmente, o desenho das canecas é feito do lado que fica virado pras outras pessoas. Quando uma pessoa pega a caneca com a mão esquerda, o desenho fica virado pra ele e ninguém vê, então esses aparatos para canhotos têm a estampa do outro lado, como na foto.

      Mas chega de canecas, vamos falar de mim. Ou de nós, os canhotos do mundo. 13% da população são sinistros, mano. O mundo, porém, e feito para os destros. Pode ter certeza que, se a coisa pode ser manipulada de qualquer jeito, vai ser feita pras mãos direitas, deixando os left-handeds da vida chupando o dedo (da mão esquerda, óbvio). O que somos obrigados a fazer, então, é viver uma vida marginalizada e sofrida.

      Já que estou na frente de um, falemos sobre os computadores. "Ué, Lucas, você deve estar fazendo alguma coisa errado, porque qualquer um pode usar um computador independente de orientação sexual preferência por um lado ou outro!" Verdade. Mas veja o que está na sua mão direita. Já jogou iSketch, um tipo de Imagem & Ação via internet? Todos concordam que desenhar com um mouse é meio incômodo, mas pense bem, você podia estar usando uma mão que nem é a que você usa pra desenhar com um lápis! Usar um mouse com a mão direita me faz ser sempre, disparado, o pior desenhista de todas as partidas de que participo, e nem posso culpar a galere por não entender o que tento representar com meus garranchos tortos. O Windows permite que você use o controlador na mão que preferir, mas aparentemente as fabricantes não gostam muito dessa ideia de igualdade, porque a maioria esmagadora dos mouses caros de alta performance têm um desenho voltado para os destros, enquanto os mouses ambidestros são bem ruinzinhos. Pode parecer besteira, mas se o cara for um jogador profissional, está ferrado.
      O maior problema aí é que nunca me avisaram, quando criança, que podia usar o mouse com a mão esquerda. O costume é difícil de abandonar.

      Músicos também não ficam de fora dos plano dos terríveis destros de ferrar os canhotos de todos os jeitos possíveis. Guitarras, baixos, violões e similares têm um desenho claramente voltado para os mesquinhos que têm a mão direita dominante.

Malditos.

      Está vendo aquela entrada que o corpo do violão tem na parte superior direita da imagem? Ela serve pra que você consiga alcançar as casas mais agudas do braço do instrumento. Agora imagine que um canhoto usaria o violão virado para o outro lado, ou seja, de cabeça pra baixo. Essa entrada conveniente ficaria voltada para cima e o músico não conseguiria tocar todas as notas.

Procurando por uma simples guitarra, eu só achava imagem de guitarra de Guitar Hero. Qualé.
      E aquela alavanca, conhecida como alavanca de distorção ou whammy bar? Ao tocar, você segura a palheta com o indicador e o dedão, ficando com o resto dos dedos livres pra pressionar a alavanca. E de cabeça pra baixo? Ela fica por cima, então o único jeito lógico que imagino é pressioná-la com o pulso. Algumas guitarras aceitam que você coloque a alavanca nos dois lados, então pelo menos é uma vitória parcial.
     Claro, também não podemos esquecer da maravilhosa bateria. Apesar de você poder organizar as partes do instrumento como quiser, isso é algo bem trabalhoso, e qualquer estúdio ou demonstração que você for só vai ter o esquema pros destros perfeitinhos. O resultado é que você toca tudo desajeitadamente, balançando tanto que parece que vai desmontar. Eu podia até botar uma imagem mostrando como é a organização de bateria, mas aí ia ficar muito cheio de imagens. O que não seria ruim, porque aumentaria o post sem eu precisar escrever muito, mas vou pensar nos pobres coitados excluídos digitais que têm internet lenta, e nem se fala sobre o navegador que eles usam.
 
      Caracas, que vergonha. Falei de instrumentos musicais para canhotos e esqueci de mencionar o melhor exemplo de todos.

Baixos de canhoto.

A baixista canhota mais perfeita deste plano da existência.

      Pode parecer que eu estou caçando coisas do que reclamar, mas estou falando de algo que, apesar de parecer pequeno, realmente incomoda em certos momentos da vida. A porcaria da marcha do carro fica do lado direito. Os talões de cheque (Cheque? Quem ainda usa isso?) têm canhoto, aquela parte onde você destaca, que obviamente atrapalha quem vai usar a mão errada. Carteiras na escola/faculdade. Artes marciais com agarrões/imobilizações ficam muito estranhas.
      Sorte que os canhotos são pessoas inteligentes, capazes, bonitas, influentes e avançadas. Talvez seja até por isso que a maioria desprovida de qualidades, esses destros, tente atrapalhar nossa vida. Mas somos maiores que isso. Menos eu, que tenho 1,64m.

domingo, 15 de agosto de 2010

O atendimento da NET is gonna drive you mad

          Maldita seja a tecnologia. Tudo que inventam por aí vem resolver problemas que eles mesmos criam e criar vícios que não existiam. Bons tempos em que eu ficava a tarde inteira sentado no chão do quarto brincando de carrinho ou lendo gibis. Hoje em dia a internet é uma constante, representando uma boa parte de minha rotina. Se vivi vários anos sem baixar animes ou usar o twitter, hoje dependo constantemente de uma internet banda larga, até durante as aulas. Viva o 3G.

          Mas não precisa ser gênio pra saber que a internet no Brasil é cara e lenta. E, como se isso não bastasse, ela ainda cai muito. Então. Foi mais ou menos por isso que eu, revoltado com a velocidade que recebia da NET (e com muitas coisas para baixar ilegalmente por meios totalmente legais e lícitos pagando os devidos tributos e respeitando os autores das obras), liguei na central de atendimento para contratar uma velocidade maior.
          Nós sabemos que cancelar qualquer serviço assim por telefone, como cartão ou assinatura de revista, é uma longa jornada com muitos obstáculos e dificuldades que têm como objetivo comprovar se o cliente tem a verdadeira intenção de cancelar esse serviço, mesmo que tenha que oferecer a mãe de sacrifício para conseguir isso. Você vai falar com diversos atendentes, supervisores, gerentes e psicólogos, quase chegando ao ponto de se convencer que cancelar coisas é pra fracos e vai aproveitar aquela promoção dos canais de luta-livre, mesmo que nem saiba o que é um turnbuckle thrust (nem eu sei, mas que deve doer, deve).

masoq/

          (Nota: quando pesquisei por uma imagem dessas no Google Images, você não tem ideia de quanta pornografia apareceu. De todos os tipos. A maioria, muito bizarra.)

           Se cancelar um serviço é tão agradável quanto aliviar uma coceira cortando fora a parte do corpo que está incomodando com uma faca encharcada de álcool e ainda por cima em chamas, comprar ou aprimorar algo devia ser pelo menos um pouco menos pior, né?
          Bem, na verdade é, mas mesmo assim isso é um potencial criador de pesadelos. A NET, especificamente, se orgulha de ter um atendimento ao cliente integrado e desenvolvido, mas no final é tudo a lesma lerda. Pra começar, você já é recebido por aquela gravação que leva eras pra dizer a que opção corresponde cada botão. No meu caso, que era referente à internet, não achei nada que tivesse a ver com isso. Apertei 0, que é o botão pra "Tenho Alzheimer e não lembro por que liguei, por favor repasse pra um atendente que me ajude", e a voz já veio me anunciando uma promoção dos canais de futebol. Porra, meu pai já assina o PFC, não enche o saco.
          Quase dois minutos após o início da ligação, chego ao atendente. Explico a situação. "Assinamos o Vírtua X Mbps e quero aumentar pro de Y". Ele me manda pra outro setor. "Assinamos o Vírtua X Mbps e quero aumentar pro de Y. Ele pede pra repetir porque a ligação está ruim. "Assinamos a porra do Vírtua X Mbps e quero aumentar pra merda do de Y, cacete." Seis minutos no telefone.
          Próximo estágio: explicar que o serviço é assinado pelo meu pai, e eu não sou ele. Lá vou eu passar o CPF dele pra provar que não é trote, mesmo que eles supostamente já tenham verificado todos os nossos dados automaticamente, como falou a gravação lá no início da tortura do atendimento. Esse passo, com sorte, não é tão demorado, mas às vezes o cara me passa pro puto do supervisor pra "verificar a situação".
          Quando eu termino de passar tudo de que o cara vai precisar, hora de ficar mais um bom tempo, que varia de 5 a fucking 10 minutos, simplesmente esperando ele confirmar a mudança. Eles ficam repetindo "Só mais um instante, senhor" diversas vezes, quando era mais fácil ficar quieto e trabalhar. Só uma única vez tive a sorte de ser atendido por uma pessoa realmente competente e legal, com quem fiquei conversando sobre jogos online e os canais adultos, e assim, fiquei até com pena quando acabou o processo. Mas, voltando à dura rotina, mesmo após esse tempo todo, ainda pode levar até meia hora pra que realmente apareça a mudança por aqui. Dá pra ver por aí como a internet deles é rápida.

          Nessa última vez que fiz isso, porém, descobri que esse era só o início da diversão. A NET faz algo chamado Traffic Shaping, ou seja, eles basicamente limitam sua velocidade de download, provavelmente pra não sobrecarregar o sistema deles, ou porque são todos um monte de fdps que desrespeitam os clientes como forma de esporte. Putz, pago caro pra poder roubar filmes, músicas e jogos em paz, e os cabrones roubam minha internet.
          E não é como se o serviço fosse ótimo, porque a velocidade de upload deles é uma bosta. Upload é a transferência de arquivos do seu computador para a internet, assim como download é o caminho inverso. Sabe quando você fica horas pra passar 10 fotos pro orkut, só pra no final dar erro? Bem, agora você sabe onde está o problema. Isso fode com torrents em que você é obrigado a manter uma certa taxa de compartilhamento. Torrent, pros excluídos digitais que provavelmente estão usando Internet Explorer neste exato momento, é um tipo de compartilhamento de arquivos em que você não baixa o arquivo todo de um servidor na internet, e sim cada parte dele de uma pessoa que o tenha. E sim, eu sei que navegador você usa. Aliás, bela camisola de bolinhas.

WTF
          (Por incrível que pareça, vi bem menos putaria procurando isso aí que na imagem anterior. Vai entender a internet.)

          Ainda bem que, graças a meus amigos, consegui burlar essa proteção. Ahá. Lucas 1 x 0 NET, seus bundões.
Eles são racks de computador. E mentira, eu nem pedi ajuda, porque sou muito mais foda que todos eles juntos.

          No final das contas, entre mortos e feridos, estou razoavelmente satisfeito. Como não ficar feliz, se minha velocidade é um décimo da de uma internet razoável no Japão, mas custa mais que o triplo do que eles pagam?
 
                                                                                                                                      
 

Aviso: Não, eu não xinguei diretamente nenhum funcionário da NET. Se você se sentiu incomodado com isso tem mais é que voltar pras suas amigas fadas e andar de pônei mágico.

P.S.: Cacete, que post imenso. Fiquei seis dias escrevendo esta desgraça. Aliás, hoje é meu aniversário. =P

sábado, 7 de agosto de 2010

Pequeno update

Alguém estava por aqui quando eu falei sobre vizinhos? http://justadowner.blogspot.com/2009/05/vizinhanca.html
Bem, o velho que morava à minha direita morreu hoje de manhã. =/
Descanse em paz, senhor-que-não-sei-o-nome.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Alistamento militar - Um épico em forma de post

      "Jovem, você que completa 18 anos este ano, aliste-se..."
      Nunca liguei muito pra essa propaganda. Achava soldados legais e tal, mas nunca imaginava que um dia, o tal "jovem" seria eu. E, quando menos se esperava, lá estava esta pobre figura que vos escreve na fila pra inscrição pro serviço militar.

      Se quando você leu a primeira frase lembrou disto aqui, não te culpo. Se eles queriam convencer alguém que não queria se alistar de que a vida no exército é empolgante e interessante, falhavam feio. Tudo parecia obrigação, parecia que a qualquer instante você podia levar um tiro no peito e morrer sangrando na calçada. Isso ou ficar no posto de saúde cuidando de bebê cagão. Talvez o exército tenha realmente percebido que aquele formato de propaganda militar, com a galera disparando foguete e se arrastando na lama, não iria atrair muita gente, e tentaram fazer com que o exército assumisse uma cara mais jovem, pra facilitar a comunicação com o público-alvo. Isso obteve resultados... tristes.
      E, conforme o tempo foi passando, aumentou terrivelmente meu medo de ser realmente convocado.
      Lógico, na hora eu não pensava que, com este físico invejável e uma miopia campeã, eles iriam querer mais é que eu fosse embora logo pra crise de risos não atrapalhar o serviço no quartel. Enquanto pegava o papel que dizia o dia que eu deveria me apresentar, não conseguia tirar da cabeça a pior possibilidade e como minha vida se tornaria uma merda ainda pior do que já é.

      Foi assim que, em pleno dia de férias, fui parar no Batalhão de Guarda Presidencial, às 7 da manhã. O frio, claro, estava absurdo. O sono fazia questão de avisar que estava presente. Mais ou menos como quando você está com tanto sono que tudo fica distante, esquisito, engraçado. A situação só não era pior porque eu sabia que aquelas outras centenas de caras estavam no mesmo barco.
      No dia, seriam feitos exames físicos pra avaliar sua condição e ver se aguentaria as pedreiras da vida militar sem quebrar em vários pedaços. Vários tenentes, ou capitães, ou sei lá, tiravam sarro de cada pobre garoto que passava por eles ("Silva Silva? P**a sobrenome de pobre, cara!", "Quem não entrar na fila o mais rápido possível, vai ser jogado na piscina", entre outros bem piores), pessoas tremiam de frio e de nervoso, nomes eram chamados.

     "Lucas Martins!", anunciou a voz. Nervosamente, entrei em uma fila com outros caras. Nessa hora pensei em tudo que podia fazer pra me recusarem. Fingir que tinha asma, que era fraco, que era burro, mostrar claramente que não queria estar lá. Incrível como, quando você está morrendo, sua vida inteira pode passar em sua mente em uma fração de segundo. Não é exatamente por isso que passei, mas quase. Putz, que galinha.
      Fomos pra uma sala onde estavam sendo feitos... exames de vista.
      "Lê a linha 11." Olhei pro papel na parede, mas as letras naquela linha pareciam um borrão. Não consegui. O cara olhou pra mim, pegou a minha ficha e disse "OK, dispensado."

Fim.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fotos 3x4

          Hoje fui tirar umas fotos 3x4, porque, sabe, pode aparecer alguma situação em que eu desesperadamente precise de uma. Sabe quando você vai fazer algo potencialmente desagradável mas ainda não caiu a ficha, de modo que você fica com alguma coisa cutucando seu cérebro enquanto diz "CAI FORA, MANOLO!"? Não? Bem, esse sentido aranha só é desenvolvido após anos e anos aperfeiçoando e treinando a sensação de "estou esquecendo alguma coisa".

Yep, quase isso

          Peraí, o assunto não é esse. Então, eu fui tirar foto na Fujioka mais próxima. Aliás, é incrível como ainda existem estabelecimentos assim, se hoje em dia revelar foto virou uma raridade, e mesmo assim pode-se revelar facinho em uma máquina, só colocando o cartão e escolhendo as fotos.
          O tema. Volte ao tema. É. Cheguei na moça do balcão e pedi pra tirar as benditas fotos. Ela era aquela típica balconista de loja de produtos relacionados a fotos, se é que existe estereótipo pra isso. Meio gordinha, antipática, empolgação tão contagiante que só falta ela te mandar tomar lá embaixo. A mulher resmungou algo, que assumi que fosse uma ordem pra sentar no banquinho. Aliás, veja bem. A foto seria tirada contra um painel branco logo do lado do balcão, de frente para a porta da loja, ou seja, não só a luz seria fornecida exclusivamente pelo Sol, mas qualquer passante poderia ver aquilo. Eu, sendo alguém muito extrovertido, claramente adorei a situação.

          Para tirar uma foto 3x4, você deve fazer a cara mais neutra possível e ao mesmo tempo parecer natural, o que é uma tarefa simplesmente impossível. Olhar para o vazio, mas ao mesmo tempo não parecer alguém sonhando acordado. Sério, mas não emburrado. Nariz reto, nem empinado nem abaixado. Na hora do vamos ver é difícil lembrar de tudo, mas fiz meu melhor. Ela tirou umas cinco fotos e foi pro computador selecionar a melhor.
          Volta tudo. Esqueci de tirar os óculos, e a prestativa moça nem falou nada. Sentado de novo no banquinho, noto nervosamente que três pessoas esperam no balcão para serem atendidas e ficam me encarando. Já estava foda tirar a foto sozinho com ela, e ainda me aparece essa plateia maravilhosa QUEM QUER BACALHAAAAAU? As malditas fotos finalmente saem, e vou ver no monitor.
          Cabeça baixa em uma, olho fechado em outra, reflexo de um carro passando, câmera desfocada. Terceira rodada. As pessoas já perdem a paciência. A fotógrafa/balconista também. Essas saem bem mais rápido. Das cinco, uma se salva, que é a que estou menos morgado. Não é a ideal, até porque o enquadramento ficou deslocado vários centímetros pra esquerda, mas vai ter que servir.

          Esse trauma com fotos vem da cabeça de um pobre paranoico, que há 5 anos não tem uma foto decente na carteirinha do colégio. Como você nem pode escolher essa, sempre saem aquelas atrocidades. Espero que na próxima eu consiga sair com uma cara que não seja "oi, acordei há 10 minutos e injeto drogas na veia nas horas vagas".

 Saca?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O elevador

O elevador é muito mais que uma simples caixa de metal suspensa por alguns cabos a dezenas de metros de altura. É muito mais que um transporte pra gordo que não quer subir escada. É muito mais que uma divertida máquina causadora de claustrofobia. É muito mais que uma prisão involuntária que pode durar até 41 horas até que sintam sua falta.

Todas as pessoas, especialmente os tímidos/aspies/prejudicados socialmente, já notaram que os elevadores são palco das situações mais constrangedoras de que se tem notícia. Você acaba sendo forçado a [não] interagir com pessoas desconhecidas, por vezes antipáticas, que podem ou não ser fedidas. E pior: você não pode escapar dessa.
Geralmente há três tipos de pessoas que você pode encontrar em um elevador:

1 - O divertido
Sabe aquele cara  que sabe puxar um assunto divertido, faz comentários engraçados e/ou interessantes e te entretém tanto que a viagem passa em um segundo? Geralmente ainda é uma pessoa bonita, bem apessoada e popular. Espécie raríssima, mas espalhada por todos os cantos.

2 - O genérico
Entra no elevador, dá um sorrisinho ao te ver, constrói a tensão pré-conversa e finalmente lasca:
"Que frio, né?"
Apesar de a maioria desses infratores tentar ser simpática, tudo que conseguem é criar uma conversa artificial que vai inevitavelmente acabar caindo no "Nossa, pra dormir, só de moletom!" ou "Nossa, como seu filho cresceu! A gente nem vê o tempo passar, né?".

3 - O que tem medo de ser estuprado
Ele vai entrar no elevador, te encarar rapidamente e correr pra ponta oposta do cubículo, onde encostará a bunda contra a parede e ficará olhando pro chão até chegar no andar desejado.  Outra variante é a que entra no elevador, dá um sorriso sem graça e fica o mais próximo possível da porta, pra sair assim que puder.

Claro, há diversas subespécies, como o Story of my life, que vai segurar a porta aberta por tempo indeterminado, com você do lado de fora doido pra ir embora, até que ele termine de contar sobre como sua tia morreu atingida por um raio enquanto lavava louça. Uma variação dessa subespécie é o Get out the door, que segura o elevador por anos e anos, e quando finalmente chega no seu andar, está sozinho lá dentro e sem nenhum motivo aparente que justifique a espera. Há também o Anarchy in the UK, que fica reclamando o tempo todo sobre como o síndico é incompetente e só atrapalha o condomínio.

O elevador é um ótimo local para experimentos sociais. Um dia, hei de criar um reality show, O Cubo. Serão 14 participantes presos em um elevador 3m x 3m por 30 dias ou até que reste apenas um vivo, o que vier primeiro. O bom é que dá pra usar uma câmera só pelo programa todo. Aceito patrocínio desde já, viu?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Olá, pessoas.

Será que alguém ainda lembra quem sou eu? Daquele blog tosco chamado Por Trás das Aparências?

Aquilo foi um projeto que idealizei durante férias em Ilhéus. Tive umas três ou quatro ideias de textos legais, anotei os tópicos principais e juntei tudo quando cheguei em casa. Foi divertido, mas logo a falta de assunto dominou. Posts logo escassearam, pessoas reclamaram, a criatividade se foi. Odeio trabalhar sob pressão.

Então, aqui estou. Mais de um ano depois do primeiro blog. Ele, aliás, recebeu mais de 1200 visitas, o que achei muito legal. Incrível como um cara tão sem graça e enjoado como eu ainda conseguiu atrair tanta gente. E foi com saudade dessa sensação de alguém saber que existo que voltei. Espero que esse tempo ausente tenha me ensinado a atrair a atenção da galera.
E, claro, blogs são modinha e até fonte de renda pra uma galera. Não custa tentar.

O nome "Just a Downer" veio de um certo jogo velhão, de Playstation, chamado LSD. Ele é baseado em sonhos totalmente aleatórios, e dependendo do que acontecer, no final ele é classificado, entre outras coisas, em "downer" ou "upper", ou seja, depressivo ou animador. Não precisa dizer qual adjetivo escolhi pra definir meu estilo.

O Por Trás das Aparências foi pro limbo, mas salvei as melhores postagens pra que elas sempre estejam à disposição da galera. Mas podem ter certeza que o estilo vai mudar bastante. Pra pior, é claro.

(Ah, relaxem. Geralmente não sou tão narcisista. Só estou falando muito de mim porque é o maldito post de apresentação, e se você não gostou, pode ir se ferrar. Eu dou permissão.)

P.S.: O design está uma merda completa, eu sei. Se alguém quiser me ajudar com essa parte visual, sinta-se à vontade. Prometo não xingar. Pelo menos não explicitamente.