domingo, 10 de maio de 2009

Vizinhança

Todo mundo tem vizinhos. Duh, isso é óbvio. Não importa se você mora em casa, apartamento, barracão ou seja lá o que for, sempre haverá alguém que mora perto de você.
E os vizinhos são uma espécie estranha, sempre digna de comentários. É estranho, porque são pessoas sobre as quais você sabe a rotina, jeito de falar, hábitos mais comuns, relacionamentos e até coisas que gostam e não gostam, mas ao mesmo tempo você mal as conhece! Quem mora em prédio e tem as famosas janelinhas de banheiro sabe do que estou falando, mas isso é algo observável também em casas geminadas.

Eu tenho três vizinhos: o da esquerda (de porta), o da direita (de banheiro) e o de cima (de elevador), porque moro no primeiro andar e não sei se a casinha do porteiro no térreo pode ser considerada como apartamento. Todos são pessoas extremamente bizonhas, mas é como dizem os mais velhos: de perto, ninguém é normal. Mas bem que vizinhos poderiam ser menos anormais, pelo nosso bem.
Meus vizinhos são a perfeita demonstração dos tipos mais comuns de vizinho. Vamos a eles.

Vizinho da esquerda, de porta: A pessoa que mora à minha esquerda é uma velha chata e incrivelmente gorda, que mora com seu filho de uns 25 anos. Ela é imensamente implicante conosco, algo que simplesmente não suporto. Certa vez, alguém do prédio comprou um filhote de cachorro que ficava latindo e gemendo o dia inteiro, talvez porque não estivesse acostumado com o novo ambiente. Pois a maluca achou que o cachorro era nosso. Sério, inexplicável, visto que os latidos, apesar de incomodarem, claramente vinham de algum apartamento mais distante. Meu peixinho também não fazia tanto barulho, a não ser por ocasionais "blubs" quando ele dava uns pulinhos.
Outra vez, quando reformava o apartamento, o pedreiro dela deu um jeito de arrancar o cabo de antena do nosso apartamento, fato que teve como resultado nós ficarmos sem TV aberta nem a cabo por quase uma semana, visto que ela não fez o menor esforço para consertar aquilo.
O filho dela já é mais legal. Acabou de se formar em Direito, tem índole boa, é engraçado e simpático. Pena que seja apaixonado por seu Jaguar 1985 e todo sábado de manhã fique afundando o pé no acelerador para que o motor "não estrague", fazendo um barulho escandaloso, ainda mais considerando que o estacionamento seja entre dois prédios bem próximos.
Mais um detalhe irritante é que eles devem ser muito populares, porque quase toda noite tem gente visitando os dois. Não teria problema se eles não fossem barulhentos, ficassem até altas horas nem fizessem aquela merda de culto religioso que todo mundo fica gritando e batendo o pé de madrugada. Nada contra rituais religiosos, mas tudo contra rituais religiosos que atrapalhem meu sono.

Vizinho da direita, de banheiro: Os vizinhos à minha direita também são velhos, mas já bem idosos e, espera-se, pacatos. Eles moram com um casal de filhos lá perto de seus 30 anos, o parceiro de um deles (que não sei qual é) e um netinho de uns 5. Algo que devo esclarecer aqui: como são vizinhos de banheiro, quase nunca os vi e apenas escuto coisas, o que torna tudo ainda mais engraçado.
O velho, pelo que deduzi, é muito esquecido, e não só de perder coisas ou algo mais normal. Várias vezes ouço a velha gritando "Fulano, limpou a bunda no banheiro?", ao que ele pode responder tanto "Claro que sim, porra!" ou "Foda-se minha bunda!". Ai, esses velhos de hoje. Pra piorar, algum deles é meio surdo, o que faz com que a maior parte da comunicação naquele apartamento seja por meio de gritos, especialmente audíveis quando você quer estudar ou dormir. Isso também faz com que a TV também seja ridiculamente alta, de modo que eu posso escutar o Domingão do Faustão direitinho quando estou no quarto.
A velhinha já é mais calma. Ela virou tipo uma babá do marido, então parece sempre preocupada e dedicada à tarefa. Ela sim é uma pessoa exemplar.
Os dois filhos são fumantes, e isso já resume bem o principal problema: pra não incomodar os velhos, geralmente eles fumam no banheiro para o cheiro não infestar o local onde eles moram. Aparentemente dá resultado, porque toda a fumaça e fedor vêm para onde eu moro. Certas tardes fica quase insuportável, tamanho o nível de poluição do ar. O filho que é casado ainda costuma brigar com o parceiro no maior volume possível. Repito: não sei se o casado é o homem ou a mulher, com um homem ou uma mulher. Só pelo que escuto fica impossível diferenciar quem está falando.
O garoto é uma criança normal. Dá uns gritos, conversa, toma banho, grita "Mãe, cabei!"...

Vizinho de cima, de elevador: No apartamento de cima, no segundo andar, mora uma família aparentemente normal: o marido, a esposa e a filha de 10 anos. Pena que o homem bata na mulher frequentemente; a mulher seja extremamente antipática, mandona e mal-educada; e a filha seja barulhenta.
Explico: o homem vez ou outra chega bêbado, ou até mesmo sóbrio, mas bate nela na maior parte das vezes que discutem.
A mulher... bem, seilá. Ela é apenas antipática, mandona e mal-educada. Aliás, é normal que ela jogue baldes de água suja pela janela da cozinha, lixo pela janela da sala, e assim vai. Às vezes o vento carrega a sujeira para dentro do meu apartamento, também. E eles instalaram um ar-condicionado recentemente, mas que vaza como eu nunca vi. Sempre que é ligado, ele faz jorrar uma torrente de água que inunda o pátio lá embaixo e ocasionamente minha sala, e parece que eles não ligam.
A filha é barulhenta. Muito. Como a maioria das meninas, ela gosta de se vestir com as roupas da mãe, especialmente os saltos e tamancos, e batê-los com violência no chão pra fazer aquele barulho. Quem mora embaixo deles? Poisé, e isso é, tiops, a tarde inteira. Às vezes, até de noite. Ela ainda é manhosa, grita, berra, xinga e faz o diabo a quatro. E o pai dela ainda reclamava que o meu irmão chorava muito quando era bebê. Há, tomou.

Hmm... té a próxima.