sábado, 8 de agosto de 2009

Peixes

Quem mora em cidade grande, média ou pequena e tem como única opção de moradia um apartamento sabe como é difícil ter animais de estimação. O espaço limitado e os vizinhos chatos tornam a criação de bichos muito complicada. Vão-se os gatos e sua necessidade de liberdade, vão-se os cachorros e sua necessidade de espaço (ou não, depende de muitas variáveis. Eles, aliás, receberão um post em breve), vão-se pássaros e sua necessidade de espaço e barulho. Lógico que isso depende muito do animal, do dono e das condições disponíveis, mas o fato é que é difícil ter um animal em um espaço fechado de 150m² ou até menos.
Sempre tive problemas com isso. Eu era uma criança meio fechada e sem muito contato com outras pessoas, ficando enfurnado no quarto a maior parte do tempo. Nem vou perder muito tempo dizendo isso mais uma vez, leia meus posts antigos para entender. De qualquer forma, minha mãe um belo dia achou legal comprar um peixe pequeno, que não fosse difícil de cuidar e pudesse habitar espaços pequenos. Veio meu primeiro peixe betta.
Bettas, pra quem não sabe, são aqueles peixes pequenos multicoloridos que são conhecidos por viverem em aquários ridiculamente pequenos sem filtração nem nada, e pelos machos da espécie serem extremamente agressivos quando confrontam peixes de certas espécies, incluindo sua própria.

Eu tinha seis anos e uma péssima memória. Não duvido que ele tenha vivido menos que uma semana. Algum tempo depois veio o segundo. Ele já durou mais tempo, mas mesmo assim eu lembrava de dar comida pro coitado de vez em nunca. Depois, ganhei de aniversário de um amigo da minha mãe um hiper-aquário com três divisórias e um betta em cada uma! Cadê esse cara hoje? Bem que eu queria uma TV nova...
Alguns meses depois eu resolvi que ter peixes isolados era muito chato e ganhei duas Bettas fêmeas. Bem isso foi o que disse o vendedor. As fêmeas de betta não são agressivas, podendo viver tranquilamente com outras fêmeas, mas não foi isso que vi: uma delas perseguia a outra incessantemente pelo aquário, dias e dias, até que ambas morressem, provavelmente de fatiga. Droga, primeira vez que os peixes morriam e a culpa não era minha. :´(

Muito tempo depois, eu com 15 anos, comprei o primeiro betta em muitos anos, junto de outro pro meu irmão, mesmo que na verdade ambos fossem meus porque eu que acabaria cuidando deles. Surpreendentemente, os dois viveram mais de um ano! O peixe do meu irmão acabou mostrando sinais de hidropisia, uma doença que faz com que os órgãos internos do pobre animal acumulem muita água e ele inche feito um balão. Ele acabou morrendo porque ficou pesado demais pra conseguir subir até a superfície para comer e até respirar¹. O problema é que essa doença tem causas desconhecidas e passa com muita facilidade para outros peixes, e como resultado, o meu acabou ficando do mesmo jeito. Cheguei a gastar cem reais em um remédio que não fez droga nenhuma e ele morreu do mesmo jeito.

Chegando ao final da história, minha mãe comprou mais um betta há duas semanas pro meu irmão. Era um peixe meio feinho, pequeno e amarelo. Só que dessa vez o plano foi diferente: eles devem ter achado que seria legal matar o peixe de uma maneira estúpida, lenta e sofrida, então encheram o fundo do aquário de areia genérica sem marca e comprada em qualquer loja. O coitado morreu em quatro dias, mas esperaram até ele sofrer convulsões intermináveis para me avisar que tinha algo de errado. Dorga.

Bettas são legais, porque são muito fodas, são tiops o Stallone do mundo dos peixes: são pequenos, mas extremamente violentos. Na natureza são meio sem cor para se camuflarem bem, e caçam impiedosamente suas vítimas. São tão competitivos que podem chegar a comer os próprios alevinos machos para diminuir a concorrência. Foda².
Os bettas à venda por aí são peixes geneticamente selecionados para serem grandes e coloridos, ou seja, são máquinas de destruição geneticamente selecionadas. Se alguma espécie vai dominar o mundo depois que os humanos forem extintos, você já sabe um forte candidato.
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Esse é o início de uma série de posts sobre animais. Sim, I'm back... nem que seja por três ou quatro posts. Aguardem!