domingo, 15 de agosto de 2010

O atendimento da NET is gonna drive you mad

          Maldita seja a tecnologia. Tudo que inventam por aí vem resolver problemas que eles mesmos criam e criar vícios que não existiam. Bons tempos em que eu ficava a tarde inteira sentado no chão do quarto brincando de carrinho ou lendo gibis. Hoje em dia a internet é uma constante, representando uma boa parte de minha rotina. Se vivi vários anos sem baixar animes ou usar o twitter, hoje dependo constantemente de uma internet banda larga, até durante as aulas. Viva o 3G.

          Mas não precisa ser gênio pra saber que a internet no Brasil é cara e lenta. E, como se isso não bastasse, ela ainda cai muito. Então. Foi mais ou menos por isso que eu, revoltado com a velocidade que recebia da NET (e com muitas coisas para baixar ilegalmente por meios totalmente legais e lícitos pagando os devidos tributos e respeitando os autores das obras), liguei na central de atendimento para contratar uma velocidade maior.
          Nós sabemos que cancelar qualquer serviço assim por telefone, como cartão ou assinatura de revista, é uma longa jornada com muitos obstáculos e dificuldades que têm como objetivo comprovar se o cliente tem a verdadeira intenção de cancelar esse serviço, mesmo que tenha que oferecer a mãe de sacrifício para conseguir isso. Você vai falar com diversos atendentes, supervisores, gerentes e psicólogos, quase chegando ao ponto de se convencer que cancelar coisas é pra fracos e vai aproveitar aquela promoção dos canais de luta-livre, mesmo que nem saiba o que é um turnbuckle thrust (nem eu sei, mas que deve doer, deve).

masoq/

          (Nota: quando pesquisei por uma imagem dessas no Google Images, você não tem ideia de quanta pornografia apareceu. De todos os tipos. A maioria, muito bizarra.)

           Se cancelar um serviço é tão agradável quanto aliviar uma coceira cortando fora a parte do corpo que está incomodando com uma faca encharcada de álcool e ainda por cima em chamas, comprar ou aprimorar algo devia ser pelo menos um pouco menos pior, né?
          Bem, na verdade é, mas mesmo assim isso é um potencial criador de pesadelos. A NET, especificamente, se orgulha de ter um atendimento ao cliente integrado e desenvolvido, mas no final é tudo a lesma lerda. Pra começar, você já é recebido por aquela gravação que leva eras pra dizer a que opção corresponde cada botão. No meu caso, que era referente à internet, não achei nada que tivesse a ver com isso. Apertei 0, que é o botão pra "Tenho Alzheimer e não lembro por que liguei, por favor repasse pra um atendente que me ajude", e a voz já veio me anunciando uma promoção dos canais de futebol. Porra, meu pai já assina o PFC, não enche o saco.
          Quase dois minutos após o início da ligação, chego ao atendente. Explico a situação. "Assinamos o Vírtua X Mbps e quero aumentar pro de Y". Ele me manda pra outro setor. "Assinamos o Vírtua X Mbps e quero aumentar pro de Y. Ele pede pra repetir porque a ligação está ruim. "Assinamos a porra do Vírtua X Mbps e quero aumentar pra merda do de Y, cacete." Seis minutos no telefone.
          Próximo estágio: explicar que o serviço é assinado pelo meu pai, e eu não sou ele. Lá vou eu passar o CPF dele pra provar que não é trote, mesmo que eles supostamente já tenham verificado todos os nossos dados automaticamente, como falou a gravação lá no início da tortura do atendimento. Esse passo, com sorte, não é tão demorado, mas às vezes o cara me passa pro puto do supervisor pra "verificar a situação".
          Quando eu termino de passar tudo de que o cara vai precisar, hora de ficar mais um bom tempo, que varia de 5 a fucking 10 minutos, simplesmente esperando ele confirmar a mudança. Eles ficam repetindo "Só mais um instante, senhor" diversas vezes, quando era mais fácil ficar quieto e trabalhar. Só uma única vez tive a sorte de ser atendido por uma pessoa realmente competente e legal, com quem fiquei conversando sobre jogos online e os canais adultos, e assim, fiquei até com pena quando acabou o processo. Mas, voltando à dura rotina, mesmo após esse tempo todo, ainda pode levar até meia hora pra que realmente apareça a mudança por aqui. Dá pra ver por aí como a internet deles é rápida.

          Nessa última vez que fiz isso, porém, descobri que esse era só o início da diversão. A NET faz algo chamado Traffic Shaping, ou seja, eles basicamente limitam sua velocidade de download, provavelmente pra não sobrecarregar o sistema deles, ou porque são todos um monte de fdps que desrespeitam os clientes como forma de esporte. Putz, pago caro pra poder roubar filmes, músicas e jogos em paz, e os cabrones roubam minha internet.
          E não é como se o serviço fosse ótimo, porque a velocidade de upload deles é uma bosta. Upload é a transferência de arquivos do seu computador para a internet, assim como download é o caminho inverso. Sabe quando você fica horas pra passar 10 fotos pro orkut, só pra no final dar erro? Bem, agora você sabe onde está o problema. Isso fode com torrents em que você é obrigado a manter uma certa taxa de compartilhamento. Torrent, pros excluídos digitais que provavelmente estão usando Internet Explorer neste exato momento, é um tipo de compartilhamento de arquivos em que você não baixa o arquivo todo de um servidor na internet, e sim cada parte dele de uma pessoa que o tenha. E sim, eu sei que navegador você usa. Aliás, bela camisola de bolinhas.

WTF
          (Por incrível que pareça, vi bem menos putaria procurando isso aí que na imagem anterior. Vai entender a internet.)

          Ainda bem que, graças a meus amigos, consegui burlar essa proteção. Ahá. Lucas 1 x 0 NET, seus bundões.
Eles são racks de computador. E mentira, eu nem pedi ajuda, porque sou muito mais foda que todos eles juntos.

          No final das contas, entre mortos e feridos, estou razoavelmente satisfeito. Como não ficar feliz, se minha velocidade é um décimo da de uma internet razoável no Japão, mas custa mais que o triplo do que eles pagam?
 
                                                                                                                                      
 

Aviso: Não, eu não xinguei diretamente nenhum funcionário da NET. Se você se sentiu incomodado com isso tem mais é que voltar pras suas amigas fadas e andar de pônei mágico.

P.S.: Cacete, que post imenso. Fiquei seis dias escrevendo esta desgraça. Aliás, hoje é meu aniversário. =P

sábado, 7 de agosto de 2010

Pequeno update

Alguém estava por aqui quando eu falei sobre vizinhos? http://justadowner.blogspot.com/2009/05/vizinhanca.html
Bem, o velho que morava à minha direita morreu hoje de manhã. =/
Descanse em paz, senhor-que-não-sei-o-nome.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Alistamento militar - Um épico em forma de post

      "Jovem, você que completa 18 anos este ano, aliste-se..."
      Nunca liguei muito pra essa propaganda. Achava soldados legais e tal, mas nunca imaginava que um dia, o tal "jovem" seria eu. E, quando menos se esperava, lá estava esta pobre figura que vos escreve na fila pra inscrição pro serviço militar.

      Se quando você leu a primeira frase lembrou disto aqui, não te culpo. Se eles queriam convencer alguém que não queria se alistar de que a vida no exército é empolgante e interessante, falhavam feio. Tudo parecia obrigação, parecia que a qualquer instante você podia levar um tiro no peito e morrer sangrando na calçada. Isso ou ficar no posto de saúde cuidando de bebê cagão. Talvez o exército tenha realmente percebido que aquele formato de propaganda militar, com a galera disparando foguete e se arrastando na lama, não iria atrair muita gente, e tentaram fazer com que o exército assumisse uma cara mais jovem, pra facilitar a comunicação com o público-alvo. Isso obteve resultados... tristes.
      E, conforme o tempo foi passando, aumentou terrivelmente meu medo de ser realmente convocado.
      Lógico, na hora eu não pensava que, com este físico invejável e uma miopia campeã, eles iriam querer mais é que eu fosse embora logo pra crise de risos não atrapalhar o serviço no quartel. Enquanto pegava o papel que dizia o dia que eu deveria me apresentar, não conseguia tirar da cabeça a pior possibilidade e como minha vida se tornaria uma merda ainda pior do que já é.

      Foi assim que, em pleno dia de férias, fui parar no Batalhão de Guarda Presidencial, às 7 da manhã. O frio, claro, estava absurdo. O sono fazia questão de avisar que estava presente. Mais ou menos como quando você está com tanto sono que tudo fica distante, esquisito, engraçado. A situação só não era pior porque eu sabia que aquelas outras centenas de caras estavam no mesmo barco.
      No dia, seriam feitos exames físicos pra avaliar sua condição e ver se aguentaria as pedreiras da vida militar sem quebrar em vários pedaços. Vários tenentes, ou capitães, ou sei lá, tiravam sarro de cada pobre garoto que passava por eles ("Silva Silva? P**a sobrenome de pobre, cara!", "Quem não entrar na fila o mais rápido possível, vai ser jogado na piscina", entre outros bem piores), pessoas tremiam de frio e de nervoso, nomes eram chamados.

     "Lucas Martins!", anunciou a voz. Nervosamente, entrei em uma fila com outros caras. Nessa hora pensei em tudo que podia fazer pra me recusarem. Fingir que tinha asma, que era fraco, que era burro, mostrar claramente que não queria estar lá. Incrível como, quando você está morrendo, sua vida inteira pode passar em sua mente em uma fração de segundo. Não é exatamente por isso que passei, mas quase. Putz, que galinha.
      Fomos pra uma sala onde estavam sendo feitos... exames de vista.
      "Lê a linha 11." Olhei pro papel na parede, mas as letras naquela linha pareciam um borrão. Não consegui. O cara olhou pra mim, pegou a minha ficha e disse "OK, dispensado."

Fim.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fotos 3x4

          Hoje fui tirar umas fotos 3x4, porque, sabe, pode aparecer alguma situação em que eu desesperadamente precise de uma. Sabe quando você vai fazer algo potencialmente desagradável mas ainda não caiu a ficha, de modo que você fica com alguma coisa cutucando seu cérebro enquanto diz "CAI FORA, MANOLO!"? Não? Bem, esse sentido aranha só é desenvolvido após anos e anos aperfeiçoando e treinando a sensação de "estou esquecendo alguma coisa".

Yep, quase isso

          Peraí, o assunto não é esse. Então, eu fui tirar foto na Fujioka mais próxima. Aliás, é incrível como ainda existem estabelecimentos assim, se hoje em dia revelar foto virou uma raridade, e mesmo assim pode-se revelar facinho em uma máquina, só colocando o cartão e escolhendo as fotos.
          O tema. Volte ao tema. É. Cheguei na moça do balcão e pedi pra tirar as benditas fotos. Ela era aquela típica balconista de loja de produtos relacionados a fotos, se é que existe estereótipo pra isso. Meio gordinha, antipática, empolgação tão contagiante que só falta ela te mandar tomar lá embaixo. A mulher resmungou algo, que assumi que fosse uma ordem pra sentar no banquinho. Aliás, veja bem. A foto seria tirada contra um painel branco logo do lado do balcão, de frente para a porta da loja, ou seja, não só a luz seria fornecida exclusivamente pelo Sol, mas qualquer passante poderia ver aquilo. Eu, sendo alguém muito extrovertido, claramente adorei a situação.

          Para tirar uma foto 3x4, você deve fazer a cara mais neutra possível e ao mesmo tempo parecer natural, o que é uma tarefa simplesmente impossível. Olhar para o vazio, mas ao mesmo tempo não parecer alguém sonhando acordado. Sério, mas não emburrado. Nariz reto, nem empinado nem abaixado. Na hora do vamos ver é difícil lembrar de tudo, mas fiz meu melhor. Ela tirou umas cinco fotos e foi pro computador selecionar a melhor.
          Volta tudo. Esqueci de tirar os óculos, e a prestativa moça nem falou nada. Sentado de novo no banquinho, noto nervosamente que três pessoas esperam no balcão para serem atendidas e ficam me encarando. Já estava foda tirar a foto sozinho com ela, e ainda me aparece essa plateia maravilhosa QUEM QUER BACALHAAAAAU? As malditas fotos finalmente saem, e vou ver no monitor.
          Cabeça baixa em uma, olho fechado em outra, reflexo de um carro passando, câmera desfocada. Terceira rodada. As pessoas já perdem a paciência. A fotógrafa/balconista também. Essas saem bem mais rápido. Das cinco, uma se salva, que é a que estou menos morgado. Não é a ideal, até porque o enquadramento ficou deslocado vários centímetros pra esquerda, mas vai ter que servir.

          Esse trauma com fotos vem da cabeça de um pobre paranoico, que há 5 anos não tem uma foto decente na carteirinha do colégio. Como você nem pode escolher essa, sempre saem aquelas atrocidades. Espero que na próxima eu consiga sair com uma cara que não seja "oi, acordei há 10 minutos e injeto drogas na veia nas horas vagas".

 Saca?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O elevador

O elevador é muito mais que uma simples caixa de metal suspensa por alguns cabos a dezenas de metros de altura. É muito mais que um transporte pra gordo que não quer subir escada. É muito mais que uma divertida máquina causadora de claustrofobia. É muito mais que uma prisão involuntária que pode durar até 41 horas até que sintam sua falta.

Todas as pessoas, especialmente os tímidos/aspies/prejudicados socialmente, já notaram que os elevadores são palco das situações mais constrangedoras de que se tem notícia. Você acaba sendo forçado a [não] interagir com pessoas desconhecidas, por vezes antipáticas, que podem ou não ser fedidas. E pior: você não pode escapar dessa.
Geralmente há três tipos de pessoas que você pode encontrar em um elevador:

1 - O divertido
Sabe aquele cara  que sabe puxar um assunto divertido, faz comentários engraçados e/ou interessantes e te entretém tanto que a viagem passa em um segundo? Geralmente ainda é uma pessoa bonita, bem apessoada e popular. Espécie raríssima, mas espalhada por todos os cantos.

2 - O genérico
Entra no elevador, dá um sorrisinho ao te ver, constrói a tensão pré-conversa e finalmente lasca:
"Que frio, né?"
Apesar de a maioria desses infratores tentar ser simpática, tudo que conseguem é criar uma conversa artificial que vai inevitavelmente acabar caindo no "Nossa, pra dormir, só de moletom!" ou "Nossa, como seu filho cresceu! A gente nem vê o tempo passar, né?".

3 - O que tem medo de ser estuprado
Ele vai entrar no elevador, te encarar rapidamente e correr pra ponta oposta do cubículo, onde encostará a bunda contra a parede e ficará olhando pro chão até chegar no andar desejado.  Outra variante é a que entra no elevador, dá um sorriso sem graça e fica o mais próximo possível da porta, pra sair assim que puder.

Claro, há diversas subespécies, como o Story of my life, que vai segurar a porta aberta por tempo indeterminado, com você do lado de fora doido pra ir embora, até que ele termine de contar sobre como sua tia morreu atingida por um raio enquanto lavava louça. Uma variação dessa subespécie é o Get out the door, que segura o elevador por anos e anos, e quando finalmente chega no seu andar, está sozinho lá dentro e sem nenhum motivo aparente que justifique a espera. Há também o Anarchy in the UK, que fica reclamando o tempo todo sobre como o síndico é incompetente e só atrapalha o condomínio.

O elevador é um ótimo local para experimentos sociais. Um dia, hei de criar um reality show, O Cubo. Serão 14 participantes presos em um elevador 3m x 3m por 30 dias ou até que reste apenas um vivo, o que vier primeiro. O bom é que dá pra usar uma câmera só pelo programa todo. Aceito patrocínio desde já, viu?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Olá, pessoas.

Será que alguém ainda lembra quem sou eu? Daquele blog tosco chamado Por Trás das Aparências?

Aquilo foi um projeto que idealizei durante férias em Ilhéus. Tive umas três ou quatro ideias de textos legais, anotei os tópicos principais e juntei tudo quando cheguei em casa. Foi divertido, mas logo a falta de assunto dominou. Posts logo escassearam, pessoas reclamaram, a criatividade se foi. Odeio trabalhar sob pressão.

Então, aqui estou. Mais de um ano depois do primeiro blog. Ele, aliás, recebeu mais de 1200 visitas, o que achei muito legal. Incrível como um cara tão sem graça e enjoado como eu ainda conseguiu atrair tanta gente. E foi com saudade dessa sensação de alguém saber que existo que voltei. Espero que esse tempo ausente tenha me ensinado a atrair a atenção da galera.
E, claro, blogs são modinha e até fonte de renda pra uma galera. Não custa tentar.

O nome "Just a Downer" veio de um certo jogo velhão, de Playstation, chamado LSD. Ele é baseado em sonhos totalmente aleatórios, e dependendo do que acontecer, no final ele é classificado, entre outras coisas, em "downer" ou "upper", ou seja, depressivo ou animador. Não precisa dizer qual adjetivo escolhi pra definir meu estilo.

O Por Trás das Aparências foi pro limbo, mas salvei as melhores postagens pra que elas sempre estejam à disposição da galera. Mas podem ter certeza que o estilo vai mudar bastante. Pra pior, é claro.

(Ah, relaxem. Geralmente não sou tão narcisista. Só estou falando muito de mim porque é o maldito post de apresentação, e se você não gostou, pode ir se ferrar. Eu dou permissão.)

P.S.: O design está uma merda completa, eu sei. Se alguém quiser me ajudar com essa parte visual, sinta-se à vontade. Prometo não xingar. Pelo menos não explicitamente.

sábado, 8 de agosto de 2009

Peixes

Quem mora em cidade grande, média ou pequena e tem como única opção de moradia um apartamento sabe como é difícil ter animais de estimação. O espaço limitado e os vizinhos chatos tornam a criação de bichos muito complicada. Vão-se os gatos e sua necessidade de liberdade, vão-se os cachorros e sua necessidade de espaço (ou não, depende de muitas variáveis. Eles, aliás, receberão um post em breve), vão-se pássaros e sua necessidade de espaço e barulho. Lógico que isso depende muito do animal, do dono e das condições disponíveis, mas o fato é que é difícil ter um animal em um espaço fechado de 150m² ou até menos.
Sempre tive problemas com isso. Eu era uma criança meio fechada e sem muito contato com outras pessoas, ficando enfurnado no quarto a maior parte do tempo. Nem vou perder muito tempo dizendo isso mais uma vez, leia meus posts antigos para entender. De qualquer forma, minha mãe um belo dia achou legal comprar um peixe pequeno, que não fosse difícil de cuidar e pudesse habitar espaços pequenos. Veio meu primeiro peixe betta.
Bettas, pra quem não sabe, são aqueles peixes pequenos multicoloridos que são conhecidos por viverem em aquários ridiculamente pequenos sem filtração nem nada, e pelos machos da espécie serem extremamente agressivos quando confrontam peixes de certas espécies, incluindo sua própria.

Eu tinha seis anos e uma péssima memória. Não duvido que ele tenha vivido menos que uma semana. Algum tempo depois veio o segundo. Ele já durou mais tempo, mas mesmo assim eu lembrava de dar comida pro coitado de vez em nunca. Depois, ganhei de aniversário de um amigo da minha mãe um hiper-aquário com três divisórias e um betta em cada uma! Cadê esse cara hoje? Bem que eu queria uma TV nova...
Alguns meses depois eu resolvi que ter peixes isolados era muito chato e ganhei duas Bettas fêmeas. Bem isso foi o que disse o vendedor. As fêmeas de betta não são agressivas, podendo viver tranquilamente com outras fêmeas, mas não foi isso que vi: uma delas perseguia a outra incessantemente pelo aquário, dias e dias, até que ambas morressem, provavelmente de fatiga. Droga, primeira vez que os peixes morriam e a culpa não era minha. :´(

Muito tempo depois, eu com 15 anos, comprei o primeiro betta em muitos anos, junto de outro pro meu irmão, mesmo que na verdade ambos fossem meus porque eu que acabaria cuidando deles. Surpreendentemente, os dois viveram mais de um ano! O peixe do meu irmão acabou mostrando sinais de hidropisia, uma doença que faz com que os órgãos internos do pobre animal acumulem muita água e ele inche feito um balão. Ele acabou morrendo porque ficou pesado demais pra conseguir subir até a superfície para comer e até respirar¹. O problema é que essa doença tem causas desconhecidas e passa com muita facilidade para outros peixes, e como resultado, o meu acabou ficando do mesmo jeito. Cheguei a gastar cem reais em um remédio que não fez droga nenhuma e ele morreu do mesmo jeito.

Chegando ao final da história, minha mãe comprou mais um betta há duas semanas pro meu irmão. Era um peixe meio feinho, pequeno e amarelo. Só que dessa vez o plano foi diferente: eles devem ter achado que seria legal matar o peixe de uma maneira estúpida, lenta e sofrida, então encheram o fundo do aquário de areia genérica sem marca e comprada em qualquer loja. O coitado morreu em quatro dias, mas esperaram até ele sofrer convulsões intermináveis para me avisar que tinha algo de errado. Dorga.

Bettas são legais, porque são muito fodas, são tiops o Stallone do mundo dos peixes: são pequenos, mas extremamente violentos. Na natureza são meio sem cor para se camuflarem bem, e caçam impiedosamente suas vítimas. São tão competitivos que podem chegar a comer os próprios alevinos machos para diminuir a concorrência. Foda².
Os bettas à venda por aí são peixes geneticamente selecionados para serem grandes e coloridos, ou seja, são máquinas de destruição geneticamente selecionadas. Se alguma espécie vai dominar o mundo depois que os humanos forem extintos, você já sabe um forte candidato.
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Esse é o início de uma série de posts sobre animais. Sim, I'm back... nem que seja por três ou quatro posts. Aguardem!