oie. Voltei com um post normal. Podem agradecer.
O post de hoje não é sobre informática, relaxem. A memória do título não é exatamente do computador, e sim a minha. Boa parte das pessoas sabe que, atualmente, 128MB de memória, m um computador, é uma quantidade ridícula que não serve nem pra usar o Word e entrar na Internet ao mesmo tempo. O que isso tem a ver comigo? Ah, bem...
Esta semana estive comentando com uns amigos sobre minha excepcional e infalível memória, e percebi que isso renderia um bom texto.
Comecemos: Dizem que nós, gênios, somos esquecidos e modestos. A primeira característica, no meu caso, se destaca muito mais que nos outros, infelizmente. Já me acostumei a viver 24h por dia com aquela sensação de "estou esquecendo alguma coisa", porque normalmente estou mesmo. E não pensem que isso é distração de adolescente, estresse de colégio, falta de tempo, nada disso. Isso vem desde os primórdios, mey. Veja só:
Luquinhas, com 6 anos, se preparando pra ir para a natação (esporte que odiava, odeia e sempre irá odiar, mas foi forçado a fazer por 14 anos). Roupão, ok. Touca, ok. Mochila pra pôr a roupa, ok. E ele vai. Sentado no banco do transporte, olha pra baixo e percebe que esqueceu de um detalhe, que talvez você tenha percebido. Aquela vestimenta de algodão branco com um desenho do Digimon definitivamente não parece uma sunga. Após uma inspeção mais detalhada, vê que de fato a peça de roupa é o que chamam de "cueca". O que fazer? Luquinhas, morrendo de vergonha, chega à academia e explica a situação pro professor, que ri e o deixa ficar sentado num banco esperando acabar a aula. Pelo menos estava passando Pokémon na TV.
Esse deve ser o caso de esquecimento mais antigo que consigo lembrar, mas provavelmente meus pais saibam de alguns ainda mais primitivos. Ainda bem que não lembro de tudo, pra falar a verdade, ou provavelmente seria ainda mais paranóico atualmente. Ou talvez fosse até melhor ser.
Luquinhas, agora com 8 anos, acaba de ter seu apartamento reformado, e uma das novidades é que agora seu quarto tem uma fechadura. Seus pais, aparentemente drogados, acham que o filho já é responsável o suficiente para poder ficar com a tal chave. Por que isso aconteceu, realmente nunca poderei explicar. O fato é que Luquinhas, logo na primeira noite com a chave, resolve se trancar para dormir, pois o dia seguinte seria um sábado e ele não queria ser acordado. Ele ainda assiste um pouco de desenho na TV e em seguida dorme.
Sábado, 9 horas da manhã. Nosso personagem principal acorda e puxa a maçaneta. Nada. Lembra que a porta está trancada e vai pegar a chave. Mas pegar aonde? Essa pergunta pergunta divide sua mente com "Nossa, o Ash pegou um Squirtle ontem de noite!", até Luquinhas perceber a gravidade da situação: ele está trancado no próprio quarto, uma representação de muito mal gosto daqueles joguinhos japoneses que você tem que arranjar um jeito de fugir de uma sala. Eu, particulamente, nunca consegui vencer nenhum desses jogos, então imagina na vida real. Pelo menos de fome não morreria, ainda tinha a lembrancinha de uma festa na escola, mas seu quarto não é uma suíte, e para chegar ao banheiro teria que derrubar a parede atrás do armário. Muito plausível para um moleque raquítico de 8 anos. Logo, sua última solução é o clássico "MAMÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃE! SOCORROOOOOOOOOO!", que traz resultados em segundos. Usando seus superpoderes de mãe, Carla logo se materializa em frente à porta trancada e avalia a situação.
A confusão chega a um novo nível. Como qualquer mulher em sã consciência que vê seu filho preso em um quarto morrendo de medo, começa a gritar com ele "CADÊ A CHAVE? ONDE VOCÊ PÔS?" calmamente desesperada, como se isso fosse adiantar algo. O pai do garoto acorda assustado e, com seu intelecto masculino superior, logo corre para o chaveiro no comércio da quadra.
Resumo da história: Luquinhas fica duas horas preso no próprio quarto, os pais gastam alguns dinheiros pra fazer uma cópia da fechadura, arrancá-la da porta recém-comprada e chamar um marceneiro pra consertar o estrago. Luquinhas, hoje com 16 anos, emo e com um blog depressivo, ainda não pode ficar com a chave do quarto.
Yay. Legal lembrar que o meu irmão hoje tem 8 anos e já tem até chave de casa pra emergências. Moleque maldito, sabe o nome, tipo, peso e altura de todos os 500 e tantos Pokémon mas não sabe se um tatu é réptil ou peixe. Vai ser nerd assim em cima de uma árvore.
O post está ficando bem grande, mas e daí? Não estou com muita vontade de parar.
Dois dias depois do incidente anterior, Luquinhas ainda tinha a chave das gavetas de sua escrivaninha. Cansado de perder o controle remoto de sua TV, resolve guardá-lo em uma gaveta e trancá-la para que não mais o perdesse. Controle de TV tinha que ser que nem telefone sem fio, se você perder é só apertar um botão na base que ele apita onde quer que esteja, seja no banheiro, debaixo da cama ou no quarto da empregada que aumenta a conta em 200 reais só de ligação pro Piauí.
Pois é, o garoto coloca o controle na gaveta de material da escola e a tranca. Ele não vê TV naquele dia, mas a noite chega e o dia seguinte será uma terça. Ele vai abrir a gaveta de material escolar pra pegar lápis de cor... e ela não abre. Após tirar da cabeça o pensamento de ela estar sendo segurada por um fantasma brincalhão, ele lembra da chave. Só lembra, porque achar mesmo, ele não acha. Cortando um pedaço da história (que envolvia a mãe dando uma bronca lendária no garoto e proibindo-o de usar o computador por um mês [e claro que ele o usou todos os dias que deu vontade], o pai dando um chilique pior ainda e proibindo-o de ver TV [que ele assistiu todos os dias que deu vontade], mais um chaveiro chamado no dia seguinte, um recado na agenda mandado pela professora dizendo que ele estava sem lápis de cor, etc etc etc), chegamos ao improvável desfecho: hoje, Luquinhas tem 16 anos, é emo, gostoso, tem um blog depressivo e não tem mais fechaduras no móvel do quarto, muito menos nos armários.
Outra coisa foi quando fui pagar algo que precisava levar o contrato de serviço, faz uns dois anos. Estava na porta de casa, lembrei que estava sem o contrato. Quase no elevador, voltei pra pegar o celular. Quase pisando fora de casa, agasalho. Chegando à loja (no comércio da quadra), tinha esquecido apenas o dinheiro.
Ah, e esses dias esqueci o celular na academia e ele evaporou. Era um Nokia 2610 de 2004, que tinha custado 90 reais. Tela totalmente arranhada, teclado com algumas teclas soltas, sem câmera, caía em ligações muito frequentemente e era bloqueado com um chip pré-pago da Vivo que vivia sem crédito. Imagino o tipo de pessoa que roubaria um celular desses. Engraçado que eu tinha escolhido um bem vagabundo especificamente porque sabia que um dia, inevitalmente, iria perder o maldito. Por isso nem me arrisco a comprar um iPhone ou qualquer modelo mais caro que 200 reais. (Ah, já tentei ligar infinitas vezes para o número, mas ele está sempre fora de área. Devem ter sido alienígenas)
Baseado nesses casos, tente calcular quantas vezes fui a festas de aniversário sem presente, cinema sem carteira de estudante, judô sem kimono mas com a faixa na mão (essa foi muito foda)... Pra mim, a melhor invenção da informática foi quando o browser de Internet passou a completar a senha de sites automaticamente. Minha conta no Windows tem uma senha, que esqueço quase todo mês. Pelo menos aí tem solução, que é usar a conta admin e resetar a senha.
Também sou uma desgraça pra decorar aniversários. Sei que o meu é 15 de agosto, meu irmão é 30 de março... Acho que minha mãe faz entre 18 e 23 de janeiro, não tenho a menor idéia de quando meu pai faz aniversário, sei o aniversário do meu tio Alexandre porque eu nasci no mesmo dia do ano que ele. Fora isso, não sei nada. De ninguém. Mas também tenho umas datas largadas pelo meu cérebro, como 7 de agosto, algum dia entre 22 e 25 de maio...
Mesma coisa com endereços, números de telefone, senhas de cartão, nomes científicos e qualquer outra coisa que exija ser decorada.
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BÔNUS
Já me perguntaram onde adquiri esse estilo irônico de escrita. Fui fortemente influenciado (e até inspirado, por assim dizer) pela série "O Mochileiro das Galáxias", a trilogia composta por "O Guia do Mochileiro das Galáxias", "O Restaurante no Fim do Universo", "A Vida, O Universo e Tudo Mais" e "Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes!", além do spin-off "Praticamente Inofensiva". Não, eu não contei errado. Essa é uma trilogia escrita por Douglas Adams.
Recomendo a todos que queiram ler uma série altamente nonsense, com humor irônico inteligentíssimo e muitas reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais.
(E por que gente que presta morre cedo? Douglas Adams faleceu em 2001 só com 49 anos, ainda planejando lançar mais um livro da série iniciada em 1979...)
aopksopakspoaposkaposkpoa
ResponderExcluirNossa, eu ri liitros agora!xD
Muito cômico Lucas, sério mesmo!
Beijão. =D